As cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras, ficam pertinho de Aracaju, podendo ser conhecidas em um bate e volta.
Laranjeiras está a 20 km ao sul de Aracaju e São Cristóvão a 25 km ao norte de Aracaju. Para conhecer as duas cidades no mesmo dia é recomendável alugar um carro. A distância entre elas é de 35 quilômetros.
São Cristóvão
Fundada em 1590 por Cristóvão de Barros, é a quarta cidade mais antiga do Brasil e primeira capital do Estado de Sergipe, reserva muitas surpresas aos visitantes que estiverem em terras sergipanas com o pensamento fixado apenas em seu litoral de águas mornas. O município fica localizado a aproximadamente 25 quilômetros, somente 30 minutos, da capital Aracaju e nela o turista poderá conhecer de perto a história, a arquitetura e os encantos de uma cidade que mantém viva as tradições acumuladas ao longo de séculos de existência. Quando essa cidade, com seu rico conjunto arquitetônico colonial situado em seu Centro Histórico completou 420 anos, em 2010, ganhou um belo presente. A Praça de São Francisco, símbolo da cidade, foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). E não era para menos, construída na época em que Portugal e Espanha eram governados pela mesma família real, a praça tem traços arquitetônicos e urbanísticos de influência espanhola, além de ser contornada por um belo casario com diversas construções barrocas dos séculos 17 e 18.
Então comece a viagem de volta ao passado por essa charmosa praça, endereço do Museu Histórico de Sergipe, do Museu de Arte Sacra, no mesmo conjunto do Convento e Igreja de São Francisco, com mais de 500 peças dos séculos 17 a 20, e da Igreja de Santa Isabel e Congregação Irmãs Missionárias Lar Imaculada Conceição, de 1607, onde são vendidos os bricelets, tradicionais biscoitos com leve sabor de laranja, produzidos pelas religiosas. A sugestão é experimentar essa delícia acompanhada de um delicioso café, que é oferecido das 07:00 às 17:00h, de segunda a domingo, no prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia, construção do ano de 1610, localizado nesta mesma praça.
Depois de explorar toda Praça de São Francisco, siga para a Praça da Matriz, para conhecer a Matriz de Nossa Senhora da Vitória (1608), padroeira da cidade, ou siga em direção a Rua do Rosário, onde está a igreja do Rosário dos Pretos (São Benedito), de 1645 e; em seguida, para a rua das Flores, endereço da igreja de Nossa Senhora do Amparo. Prosseguindo termine o tour na Praça Senhor dos Passos, onde fica o Conjunto Carmelita, que conta com a Igreja e Convento do Carmo, e a Igreja da Ordem Terceira que é mais conhecida como Igreja de Nosso Senhor dos Passos. Neste convento do Carmo, foi onde irmã Dulce, beatificada em 23 de maio de 2011, passou alguns meses no ano de 1933, em um pequeno quarto e onde é possível encontrar réplica de objetos pessoais e documentos sobre a sua passagem por alí.
Passeie também pelas ruas de pedra e ladeiras da cidade que escondem ainda histórias das invasões holandesas e grandes e belas criações arquitetônicas, que fazem do lugar um passeio na história da cidade. Como toda história de eira, beira e tribeira, relativa aos telhados dos casarões coloniais que diferenciava seus moradores por classe social. Como também sobre o folclore, que é lembrando através das gerações, que mantém viva as danças típicas como: Reisado, Samba de Coco, Chegança, Caceteira, São Gonçalo, Barcamateiros e outras. Outra tradição que resiste ao tempo e a todas as modernidades são as bonecas de pano. As bonequeiras da cidade, como são conhecidas as artesãs que fazem as bonecas, trabalham para não deixar a tradição desaparecer.
Laranjeiras
Esta cidade não é tão visitada como a histórica São Cristóvão, porém é outra joia do período colonial brasileiro dos sergipanos, cheia de casarões seculares e manifestações folclóricas únicas, foi uma das mais importantes no período imperial. Com uma imprensa forte e combativa, proporcionou algumas batalhas de grande importância em defesa da República e da Abolição da Escravatura. Também fez parte de uma região com grande poder econômico no século 19, pois foi grande produtora de coco e mandioca, todavia tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda, a ponto de até o imperador Dom Pedro II passar em 1860 com sua comitiva por essas paragens.
No centro histórico, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pode-se observar perambulando por suas ruas são estreitas um conjunto arquitetônico relativamente preservado, com seu casario incluindo igrejas e museus. Comece a visita pela Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, que fica ao lado de uma pracinha com um coreto, depois siga para outros atrativos da cidade como o Museu Afro-Brasileiro, que foi o primeiro montado especialmente para o estudo da presença do negro na formação do povo brasileiro. Museu de Arte Sacra, considerado o segundo mais importante do estado e a Casa de Cultura João Ribeiro, também no centro, foi onde nasceu o primeiro sergipano a ser imortalizado pela Academia Brasileira de Letras. Foi transformada em um pequeno museu, para preservar a memória do poeta e escritor e um dos maiores folcloristas do Brasil.
Porém uma das vistas mais bonitas da cidade, a da Igreja Bom Jesus dos Navegantes que fica localizada no Alto do Bom Jesus, s/n, bem no topo de uma colina, de onde você tem uma visão completa de Laranjeiras e do Vale do Rio Cotinguiba. É possível chegar até lá andando, mas moradores alertaram que poderia ser perigoso por conta de assaltos contra turistas desavisados. A tradição folclórica também é muito festejada em Laranjeiras, com vários grupos, animando festas e feiras com frequência em diferentes épocas do ano, sendo os mais conhecidos o Reisado, Taieiras, Lambe-Sujos, Caboclinhos e o São Gonçalo, onde os homens se vestem com trajes femininos para dançar.