A partir dos dados levantados pela Semed, há a certeza de que o modelo aplicado na rede municipal de ensino está defasado. “Foi observado por meio de depoimentos, experiência vista, vivida e compartilhada, que é preciso mexer em algumas estruturas componentes desse processo, em função dos resultados que a escola pública vem dando”, observa Márcia Valéria.
A escola na cidade de Aracaju precisa fornecer a ferramenta básica, a condição de ler e entender, fazer analise crítica da sociedade, ser alfabetizado nos princípios básicos, a matemática e as ciências. “Esse processo só é promovido quando há o processo que a escola municipal, infelizmente, deixou de dar atenção devida, e o reflexo disso são alunos nas séries iniciais que não são bem alfabetizados”, diz a secretária.
Para Márcia Valéria, não é possível se conformar diante da situação em que se encontra a educação municipal, por isso a importância da aprovação do Projeto de Gestão Democrática.
“O diretor tem dificuldade de controlar a presença, a maioria da participação, o gestor de escola hoje é um grande gerente, ele é um executivo. Ele tem que se preocupar com processo de aprendizagem, assim como com funcionários, estrutura física, segurança, com projeto político-pedagógico, com processos de ensino e aprendizagem, avaliações, com recursos. O gestor da escola nem sempre está seguro e preparado de fazer a gestão sobre todos esses elementos, mas serão organizados cursos qualificativos, dando oportunidade tanto para os diretores, quanto para os professores com interesse em se candidatar a cargos de direção”, explica a secretária.
Antes e depois do Projeto
Atualmente a Gestão Democrática é composta por 23 pessoas. Sendo, seis professores efetivos, seis alunos, seis pais, quatro funcionários e um diretor efetivo. “Na maioria das vezes não de chegava a nenhum acordo, na maioria das vezes o que acontecia eram muitos conflitos e pouquíssima resolutividade. Inclusive diversos recursos financeiros já foram devolvidos, porque não havia consenso e a escola perdia recursos”, afirmou a secretária.
O projeto que será votado hoje propõe uma redução para 6 membros de um conselho, composto por um diretor, um diretor adjunto, um secretário, um coordenador pedagógico, um representante de aluno e um representante de pais. Para a secretária esta nova forma de gestão proporcionará maior celeridade aos processos educacionais, principalmente no que se refere ao dia a dia escolar.
De acordo com o economista, especialista em Educação e colunista da Revista Veja, Cláudio de Moura Castro, que recentemente esteve em Aracaju para uma visita ao prefeito e à secretária de Educação, em nenhum lugar do mundo há uma gestão democrática composta por tantas pessoas. “Nenhum país evoluído do mundo tem este tipo de gestão. Parece uma jabuticaba, porque esta fruta só o Brasil tem. Então este tipo gestão, só aqui neste país”, afirmou Castro.
De acordo com Márcia Valéria, a Secretaria de Educação tem a obrigação constitucional de criar diretrizes com a finalidade de dar unidade ao conjunto das escolas da rede municipal. Assim, em conjunto, as ações da escola se transformarão em benefício para a sociedade, ou seja, os alunos terão finalmente recebido dentro da escola o que lhe é mais importante: a aprendizagem.
“O mais elementar na escola é o aluno aprender a ler e a escrever com fluência, entendimento, saber expressar seu raciocínio, desenvolver seu senso crítico, em suma, ter a consciência que ele próprio é um elemento importante para sociedade, um agente transformador. Para que isso aconteça, é preciso ter profissionais habilitados para dar suporte”, analisa Márcia Valéria.
Aumento de salário
Atualmente um diretor do município recebe R$ 1.760,00, com a aprovação do novo projeto de gestão democrática, passará a receber R$ 3.000,00, que representa um aumento de quase 80%. Além disso, somando a remuneração do cargo de professor o salário poderá a chegar a R$ 5.500,00.
Além disso, a equipe diretiva que chegar a meta estabelecida também será remunerada com um 14º salário. “Para manter a qualidade e a disposição do desafio que é educar, os professores terão direito a um quarto salário no final do ano, se quiserem atingir a média que o MEC impôs para a Aracaju até 2022 que é de 6,0”.
Ressalta-se que, Aracaju é a capital do Brasil que tem o menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), com média de 3,1%. “Desta maneira, se faz urgente a necessidade de mudança, que deve começar com a capacitação dos professores, tendo em vista o despreparo destes quanto ao desafio de não apenas lecionar, mas estar à frente como gestores”, finalizou a secretária.
Fonte: Portal NE